Supermercado gratuito reúne alimentos bons que seriam descartados

Veja o exemplo interessante de um estabelecimento que busca diminuir o desperdício de alimentos

Menos falado do que se deveria, o grave problema social do desperdício de alimentos é uma das questões que deve ganhar espaço nos grandes debates para os próximos anos. A legislação de alguns países ainda burocratiza a doação de alimentos conservados, mas que perderam o valor de comércio. Todavia, outros apresentam soluções interessantes. Veja um exemplo a seguir.

Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), divulgado no início de 2017, em Bruxelas, na Bélgica, revela que a fome ainda é um dos grandes males no mundo. Apesar da luta da comunidade internacional para diminuir a questão, o problema aumentou. Em 2015, o órgão informou que 80 milhões de pessoas sofriam de insegurança alimentar no mundo. Agora, o novo relatório contabiliza que, em 2016, 108 milhões sofrem com a fome no mundo.

E você sabia que ⅓ dos alimentos produzidos no mundo inteiro é desperdiçado e acaba no lixo? Pensando nisso, o Supermercado Free Store, da Nova Zelândia, está fazendo a sua parte.

Localizado na cidade Wellington, o estabelecimento oferece, de graça, os produtos que estavam à venda em supermercados, cafés e padarias da região, porém, que não foram comprados pelos consumidores e, por isso, acabariam no lixo.

Veja como funciona a ideia do Free Store: 

  • As doações são coletadas pela artista Kim Paton, que iniciou o projeto em 2010;
  • A ideia inicial era que a ação durasse apenas duas semanas, como forma de conscientização à respeito da quantidade de comida boa que descartamos diariamente;
  • O sucesso foi tão grande que o projeto se transformou em uma entidade permanente;
  • Atualmente, 65 estabelecimentos comerciais da região doam o desperdício para a Free Store;
  • O Free Store disponibiliza, por final de semana, de 800 a 1.500 itens gratuitamente para quem precisa;
  • A loja fica aberta apenas uma hora, das 18h às 19h, e garante o melhor serviço possível;
  • A iniciativa garante que US$ 1 milhão deixe de ser desperdiçado, por ano.

Para o cofundador da iniciativa, Benjamin Johnson, não há nenhum pré-requisito de quem pode ’comprar’ na loja gratuita.

“Qualquer pessoa, por qualquer razão, que não nos interessa, pode pegar o que quiser”, explica em entrevista à Yes Magazine. Segundo ele, os principais clientes são moradores em situação de rua, pessoas desempregadas, refugiados, estudantes e ex-detentos que saíram recentemente da prisão.

Fome na Nova Zelândia

Cerca de 120 mil toneladas de alimentos são descartados anualmente na Nova Zelândia, o que representa um desperdício de US$ 625 milhões. Como contraste, dados da Unicef mostram que 28% das crianças do País estão em situação de pobreza e passam fome.

Outras cidades da Nova Zelândia já planejam “copiar” o modelo do Free Store. “Tudo que você precisa é de um espaço físico, fornecedores gratuitos de alimento e voluntários para organização das doações”, afirma Benjamin.

Inspirador, não?

Com informações: The Greenest Post, VICE.

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