Gestão eficiente de estoques pode determinar lucro ou prejuízo da operação

Há muitas oportunidades de melhorias dentro da loja que podem compensar amplamente a perda das margens dos supermercados provocada pela queda nas vendas. Exemplos de como fazer isso na prática foram apresentados no painel Operações do Congresso de Gestão APAS no dia 5.

É o caso dos estoques, maior despesa dos supermercados e que chegam a representar de 70% a 75% do faturamento das lojas. Além de ser a “conta” mais cara, é a que mais oscila no demonstrativo de resultados mensal. “Em alguns casos, há registros de variação que chegam a 20% da compra para a revenda, o equivalente a uma folha de pagamento”, destaca Romualdo Teixeira, CEO da STO Soluções em Desenvolvimento. “Significa que a uma gestão eficiente pode determinar a diferença entre o lucro ou prejuízo da operação”.

Segundo Teixeira, o trabalho tem início com a identificação das principais perdas não apenas no estoque, mas em toda a cadeia de abastecimento da empresa (fornecedores, comercial, centro de distribuição e chão de loja). “Os passos seguintes são criar uma central de informações para compartilhar os dados com a empresa, definir um comitê com responsáveis em cada área e incentivar o engajamento e comprometimento de todos na solução dos problemas”, ressalta.

Desde que profissionalizou a gestão de perdas, o Supermercado Monte Serrat vem obtendo resultados expressivos, principalmente em relação à ruptura na área de vendas. “Antes não tínhamos nenhum processo definido, o gerente via os vazios da gôndola, ia ao estoque e repunha as mercadorias sem critério nenhum. Então começamos a fazer a mensuração sistemática e descobrimos que os índices de ruptura chegavam a até 20% em determinadas categorias”, conta Edevaldo Retondo, diretor da Monte Serrat.

A empresa passou então a estruturar o processo de reposição, com gestor orientado com planograma e mensuração de todos os procedimentos. Como resultado, o tempo de reposição por produto caiu de 93 segundos para 15 segundos, o que reduziu o número de repositores de 44 para 29 pessoas. O índice de rupturas foi praticamente zerado.

De acordo com Retondo, uma consequência positiva e inesperada do programa de prevenção de perdas foi a motivação dos funcionários, que passaram a buscar formas de melhorar a organização dos estoques por conta própria. “As pessoas são um aspecto fundamental para o sucesso dos processos. Em vez de julgar e treinar, cabe aos diretores e gestores treinar, orientar, motivar e, principalmente, reconhecer os esforços dos colaboradores.

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